Saúde na adolescência: o que muda no corpo e o que os pais precisam saber
Adolescência e Saúde
2 de fevereiro de 2026

A adolescência começa mais cedo do que os pais imaginam e exige um olhar médico que a pediatria convencional frequentemente não oferece.
Existe um vazio no sistema de saúde que me preocupa há anos: o adolescente sem médico de referência. Aos 10, 11 anos, muitos pediatras param de atender. O clínico geral recebe um jovem que ele não conhece, sem histórico, sem vínculo. E o adolescente, que está passando pelas maiores transformações físicas da vida fora da infância, fica sem o cuidado especializado que precisa.
Foi para preencher esse vazio que criei o Programa do Adolescente no meu consultório.
O que muda no corpo entre os 10 e os 18 anos
A puberdade não é apenas crescimento de altura e desenvolvimento sexual. É uma reorganização profunda do metabolismo, da pressão arterial, da composição corporal e da função renal. Condições que estavam silenciosas na infância, como resistência à insulina, hipertensão leve e alterações renais subclínicas, frequentemente se tornam identificáveis nessa fase.
Em 15 anos acompanhando crianças e adolescentes, formada no Hospital das Clínicas da USP, aprendi que o adolescente que não tem avaliação clínica regular nessa fase pode chegar aos 25 anos com condições que poderiam ter sido identificadas e tratadas aos 13.

O que a consulta do adolescente precisa ter
Primeiro, tempo. Adolescente não se abre em uma consulta de 15 minutos com os pais na sala. Parte da consulta precisa ser reservada para o jovem, sem os responsáveis presentes. Essa privacidade não é opcional. É o que torna possível conversar sobre corpo, sintomas e comportamentos que o adolescente simplesmente não menciona na presença dos pais.
Segundo, avaliação clínica completa que inclua pressão arterial, exame de urina, avaliação metabólica e rastreamento de saúde renal. Esses exames raramente são pedidos para adolescentes em consultas de rotina. Na minha prática, fazem parte do protocolo padrão.
Terceiro, orientação para os pais. Como incluir sem pressionar. Como identificar sinais de alerta sem transformar cada comportamento em problema. Como conversar sobre corpo sem criar vergonha.
O que me preocupa no adolescente com excesso de peso
É nessa faixa etária que vejo com mais frequência a consequência do que não foi tratado na infância. O adolescente com obesidade que nunca teve avaliação renal. A jovem com infecções urinárias recorrentes desde os seis anos que nunca foi investigada adequadamente. O adolescente com pressão arterial elevada que ninguém mediu porque "era jovem demais para ter pressão alta."
Não existe jovem demais para ter pressão alta. Existe exame que não foi feito.

Sinais que indicam avaliação especializada
Puberdade muito precoce, antes dos oito anos nas meninas e dos nove nos meninos, ou muito tardia. Ganho de peso acelerado com alterações metabólicas. Pressão arterial elevada em duas ou mais medições. Alterações em exame de urina. Cansaço desproporcional, queda de rendimento escolar ou mudanças de comportamento persistentes sem causa identificada.
Conclusão
Cuidar bem do adolescente é cuidar do adulto que ele vai se tornar. O Programa do Adolescente da Dra. Helen foi criado para que nenhum jovem fique sem referência médica na fase em que mais precisa.
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